Côte d’Azur: o que você precisa saber antes de montar seu roteiro

Palco de um verdadeiro pot-pourri de paisagens – de praias banhadas pelas águas calmas do mediterrâneo a graciosos campos de lavanda, colinas adornadas por cidades medievais e imponentes montanhas alpinas – a Côte d’Azur, no sul da França, é desses destinos que merece ser conhecido com calma.

Dentre tantas atrações e paisagens diversificadas, fica difícil decidir por onde passar e, mais ainda, por onde começar. Pensando nisso, preparei um mini-guia com dicas importantes para saber antes de preparar o seu roteiro e de como se locomover entre as cidades. Leia abaixo:

Entenda a geografia da região

Para se entender melhor a geografia do sul do país é preciso primeiro saber que a região se divide entre o território dos Alpes, da Provence (a parte mais campestre e interiorana) e da Côte d’Azur. Esta última, também conhecida como Costa Azul ou Riviera Francesa no bom e velho português, envolve as cidades do litoral. A neve costuma cobrir os Alpes durante os meses de inverno, enquanto o sol forte e o calor são garantidos nas praias durante todo o verão.

O leque de opções de lugares para se visitar é enorme, mas a boa notícia é que a pequena distância entre eles e a excelente malha ferroviária do país, permite que viajantes do mundo inteiro possam desfrutar um pouquinho de cada canto – com tempo e, claro, planejamento.

Fiz essa viagem agora em agosto, em meio a pandemia, quando o turismo na Europa começava a se normalizar. Por isso mesmo decidi fazer o trajeto todo de carro, a fim de manter o distanciamento social. Uma decisão acertada, já que ter a facilidade de se locomover entre cada cidade faz de qualquer viagem uma experiência ainda mais exclusiva. No entanto, em tempos normais, o mesmo roteiro pode também ser feito tranquilamente de trem (ou ônibus, em alguns trechos).

Defina a logística: ponto de partida x pé na estrada

Entre todo esse mix de belíssimas paisagens, ótima gastronomia, vibe praiana, cidades medievais e cena cultural efervescente, fica mesmo difícil decidir por onde passar. Por isso, antes de mais nada, é essencial definir a logística da sua viagem. Ou se preferir, veja aqui um roteiro completo e pronto para usar por 7 dias pela Costa Azul.

Como as cidades são bastante próximas uma das outras, é possível montar base em uma cidade só e, de lá, conhecer as demais ao redor. Outra opção é ir parando e se hospedando em diferentes endereços ao longo do caminho – o que demanda um pouco mais de trabalho, mas também pode ser uma ótima ideia.

A cidade de Nice costuma ser o melhor ponto de partida, por estar posicionada entre algumas das principais praias e vilarejos da Riviera, além de ser por si só uma metrópole pulsante e cheia de atrações. Minha intenção era montar base ali, mas por conta da pandemia, ficar em um ambiente tão urbano e cheio de gente não seria prudente. 

Acabei encontrando um Airbnb no entorno da charmosa vila medieval de Saint-Paul-de-Vence, que fica a apenas 30 minutos de carro de Nice, com os hosts mais acolhedores que já conheci. Apesar de ficar distante da praia, é uma ótima alternativa para quem quer unir a boa localização à um pouco mais de sossego.

LEIA TAMBÉM: Saint-Paul-de-Vence: conheça o encantador vilarejo medieval em um dia

Determine seu meio de transporte

Seja qual for a logística escolhida – montando base em alguma cidade ou ir se hospedando em diferentes lugares – saiba que ambas as opções podem ser percorridas facilmente tanto de carro quanto de transporte público.

As duas, entretanto, tem suas vantagens e desvantagens. Dirigir na França não é um bicho de sete cabeças já que o país conta com boas estradas e sinalização, mas tem lá seus desafios. Já para pegar o trem é sempre bom levar em consideração os horários de pico e estudar bem as linhas para não correr o risco de passar do ponto. Veja abaixo qual opção funciona melhor para o seu roteiro.

De trem

A praia de Nice, na Promenade des Anglais, toda de pedrinhas

Viajar de trem pela Europa é algo bastante comum e extremamente prático. Tanto entre cidades quanto entre diferentes países. Dependendo do trajeto, os valores podem ser bem convidativos e quase toda cidade costuma ter uma estação de trem. 

No sul da França não é diferente. A partir de Nice, por exemplo, é possível fazer um bate e volta para cidades como Cannes, Antibes, Fréjus e inclusive até o país vizinho, Mônaco. Entre eles, o trajeto mais longo, até Fréjus, não leva mais do que uma 1h20. Já as vizinhas Cannes e Monte Carlo, não levam mais do que meia hora.

Optar pelos trilhos é também uma boa forma de fugir do trânsito um tanto caótico da Riviera. Em finais de semana, em especial, quando há maior engarrafamento, fazer o percurso de trem costuma ser até mais rápido do que de carro. As paisagens, por sua vez, não são menos encantadoras.

Como tudo não são sempre flores, embora ofereçam bastante conforto, vale ressaltar que os vagões costumam circular cheios. Por ser um meio de transporte muito popular, eles são utilizados também pelos próprios residentes quase como um metrô. Por isso, evite ir na hora do rush e compre as passagens com antecedência.

Já alguns outros trajetos exigem o uso de ônibus. É o caso de Saint-Paul-de-Vence e Éze Village, que, por estarem no topo de uma colina, não contam com estação ferroviária. Mas nem por isso devem ficar fora do roteiro. Muito pelo contrário, são paradas mais que obrigatórias! Leia mais sobre cada uma delas aqui e aqui. Nesses casos, a malha rodoviária da Lignes D’Azur é responsável pelos percursos, que inclui até mesmo um trajeto de Nice a Mônaco (linha 100) por menos de 2€. 

De carro

Quem resolve ir de carro, no entanto, deve ter em mente que o trânsito por lá não dos mais fáceis e os estacionamentos não são baratos. A vantagem está na liberdade de poder dirigir sem se programar tanto e mudar o roteiro quando der na telha.

E se luxo e ostentação já logo vem à mente quando se fala em Riviera Francesa, saiba que é tudo isso mesmo. Ferraris, Porsches e outros carrões são bem comuns por ali. Mas, apesar de ser uma das regiões mais ricas e elegantes do mundo, a Costa Azul é, surpreendentemente, um destino bastante democrático em termos de budget e atrai os mais variados perfis de turistas. Há opções de acomodações e restaurantes que vão dos modestos aos mais luxuosos.

Já as ruazinhas apertadas, onde aparentemente passaria só um carro, desafiam as leis de espaço físico e em sua maioria possuem duas mãos. Sabe aquela famosa “fina” entre veículos? Desconfio que deva ter nascido ali. Portanto, não se deixe intimidar pelos carrões que circulam. Recomendo fortemente um carro pequeno (caso não tenha intenção de ir para os alpes. Já se os alpes estiverem na programação, um carro de maior tamanho e potência é mais indicado para aguentar as constantes subidas). 

LEIA TAMBÉM: Lyon: O que fazer na terceira maior metrópole francesa

Dicas úteis:

Como chegar na Riviera Francesa:
Dependendo de quais cidades serão incluídas no roteiro, os principais pontos de entrada para quem chega de avião são Nice, Cannes e Marselha.

Quando ir:
De junho à setembro é a melhor época para aproveitar o calor e as praias da região. Julho e agosto são os meses mais quentes e também mais cheios. 

Como se locomover:
Para uma viagem com mais flexibilidade e facilidade, a melhor forma é alugar um carro. No entanto, a França também conta com uma excelente gama de trens e é possível se locomover facilmente entre uma cidade e outra de trem ou ônibus.

Onde se hospedar:
Recomendo montar base nas proximidades de Saint Paul de Vence ou na própria cidade de Nice. Quem opta por ficar em Nice, as melhores áreas são: Vieux Nice, Jean-Médecin e Gambetta, onde você estará próximo das principais atrações e poderá conhecê-las à pé. Veja opções de hospedagem no Booking.com e Airbnb.

Publicado por Bruna Aranguiz

Paulistana, jornalista e viajante. Vivendo na Irlanda.

2 comentários em “Côte d’Azur: o que você precisa saber antes de montar seu roteiro

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